Você vai caminhando e entendendo que apenas seus rastros não fazem o caminho. Abre-se, então, para você novas possibilidades. Seu coração já não está vazio de si mesmo, como quando você iniciou sua trajetória e se fez medida absoluta, dizendo que quem quiser caminhar com você tem que acompanhar seu ritmo. O melhor ritmo é o ritmo do amor. Como disse um amigo, quem aprendeu a ser todo, não quer ser metade nunca mais.
Enquanto você caminha, experimenta o cansaço que você desdenhava nos andejos. Caminhar não para competir, caminhar para aprender. Caminhar para aprender como se ama, pois uma noite de amor não é todo o amor. É o sol que retira o excesso, é ele que sedimenta as verdades, encarregando-se de dar sentido ao suor que ele extrai, enquanto nós vamos cortando caminho. Quem começou sozinho, inteiro no orgulho, espinhoso demais para um abraço, vai amar o sol como nunca o tenha amado. Vai querer seu calor nas noites frias. O sol não é distante e ele sabe nos segurar dentro da vida. Viver é caminhar e o amor é a rota do caminho.



